28/11/14

21/11/14

14/11/14

"Eu ficar à toa é ficar à disposição da poesia"

Prefácio

Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) -
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insectos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direcção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
dependimentos demais
e tarefas muitas -
os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não
que as moscas iriam iluminar
o silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
que as moscas não davam conta de iluminar 
o silêncio das coisas anônimas -
passaram essa tarefa para os poetas

Manoel de Barros

Manoel de Barros

1917-2014