28/10/16

O Eco Silencioso

A poesia consolou-me na noite, mais que os barbitúricos que me receitaram, e recordo o momento em que finalmente adormeci, recitando, a quem amava, sonetos de Camões.
1944 - 2016

14/10/16

Inesperadamente

já não te espero ver quando abro a porta
mas ainda esbarro com a tua ausência

é tudo o que não foste
o que não fomos
que me atravanca os dias

o espelho em que me vejo empalidece
como um retrato antigo

sinto-me longe

é quinta-feira
Março
o tempo não levanta

de resto aprendo que a monotonia
é apenas isto
o regressar contínuo
ao vazio das coisas

Luís Amorim de Sousa

1937