O crepúsculo da manhã nascente sopra o esbraseamento
ténue e branco
em voo na linha do horizonte.
E por sobre límpidas
palidíssimas as luzes urbanas, acendem os espelhos
das salinas: quatro águas que estremecem a manhã.
Por trás da casa atrás de nós o húmido marulho
de pássaros frágeis que destecem a sombra.
A teu lado o corpo de quem te convida
à manhã do mundo.
06/02/15
30/01/15
"Desenhar Nuvens"
"Levei quase 30 anos a conseguir cruzar pintura com cenografia. Caminhava com as duas práticas, em simultâneo, mas sem nunca as deixar aparecer contaminadas. Era um exercício secreto. Creio que estaria, por detrás, um respeito exagerado pela pintura e os meu ídolos. Também uma certa postura contra a cenografia clássica e ilustrativa."
23/01/15
As Contadoras De Histórias
"A Menina Feia bebe uns copos, confraterniza com amigos e colegas de ambos os sexos, mas não ousa intimidades, até nem lhe apetece. Apetece-lhe Ele, lá isso! Depois nem isso. Depois nem copos, tem vergonha, não quer que Ele se aperceba do exutório, ela também tem seu orgulho."
16/01/15
09/01/15
02/01/15
12/12/14
05/12/14
Quarto de Costura
Um óvulo imaginado,
espesso, fosco, amarelo,
pólen e penugem
que a mais potente das máquinas
ainda não inventada
abriria em universos.
O que parece indivíduo é vários.
Fosse boa cristã
entregava a Deus o que não entendo
e arrematava o bordado esquecido no cesto.
Tenho labirintite. Amei Aristóteles com fervor.
E por longo tempo deixei-o por Platão.
Enfadei-me, saudosa de carne e ossos,
acidez de sangue e suor.
O que deveras existe nos poupa perturbações,
sou uma vestal sem mágoas.
Terei o que desejo, carregando minha cruz
e morrendo nela.
Adélia Prado
espesso, fosco, amarelo,
pólen e penugem
que a mais potente das máquinas
ainda não inventada
abriria em universos.
O que parece indivíduo é vários.
Fosse boa cristã
entregava a Deus o que não entendo
e arrematava o bordado esquecido no cesto.
Tenho labirintite. Amei Aristóteles com fervor.
E por longo tempo deixei-o por Platão.
Enfadei-me, saudosa de carne e ossos,
acidez de sangue e suor.
O que deveras existe nos poupa perturbações,
sou uma vestal sem mágoas.
Terei o que desejo, carregando minha cruz
e morrendo nela.
Adélia Prado










