19/01/18
12/01/18
05/01/18
Pausa
Parecia-me que este dia
sem ti
devia ser inquieto,
escuro. Em vez disso está repleto
de uma estranha doçura, que aumenta
com o passar das horas -
quase como a terra
após um aguaceiro,
que fica sozinha no silêncio a beber
a água caída
e pouco a pouco
nas veias mais profundas se sente
penetrada.
A alegria que ontem foi angústia,
tempestade -
regressa agora em rápidas
golfadas ao coração:
à luz suave do sol reaparecido brilham,
inocentes dádivas,
as conchas que a onda
deixou sobre a praia.
sem ti
devia ser inquieto,
escuro. Em vez disso está repleto
de uma estranha doçura, que aumenta
com o passar das horas -
quase como a terra
após um aguaceiro,
que fica sozinha no silêncio a beber
a água caída
e pouco a pouco
nas veias mais profundas se sente
penetrada.
A alegria que ontem foi angústia,
tempestade -
regressa agora em rápidas
golfadas ao coração:
à luz suave do sol reaparecido brilham,
inocentes dádivas,
as conchas que a onda
deixou sobre a praia.
29/12/17
TOP 2017
PEÇAS
Paris > Sarah > Lisboa
Sopro
Orfãos
FILMES
São Jorge
A Fábrica Do Nada
CONCERTOS
Mário Laginha e Pedro Burmester
Camané e Orquestra Metropolitana de Lisboa
EXPOSIÇÕES
Das Pequenas Coisas: Júlio Pomar e Pedro Cabrita Reis
José de Almada
Negreiros
DISCOS
“Só” Ao Vivo – Jorge Palma
“Camané Canta Marceneiro” - Camané
LIVROS
“Épico de Gilgames” (trad., introd. e notas de
Francisco Luís Parreira)
“O Livro das Comunidades” - Maria Gabriela Llansol
(reedição)
07/12/17
07/07/17
Com preguiça te amo
Com preguiça te amo
Encostado à porta
A olhar paisagem sem desfecho,
Se nada mais houver entre quarto e Paris a salto
(os anjos são incapazes do adeus)
Seremos mais que mão no peito,
Cada um para seu lado
Entre poema e ombreira
Com persianas por fechar.
A minha cabeça estará aqui ou acolá
Conforme hora ou medicamento,
Atenta aos anjos do mar num cais sonâmbulo.
Cada um com seu barco à vela,
(amor nocturno, como são todos)
Amantes do diabo a preto e branco,
A lavar os dentes enquanto os peixes dormem.
Fala, diz,
Um beijo será açoite na palma da mão.
Encostado à porta
A olhar paisagem sem desfecho,
Se nada mais houver entre quarto e Paris a salto
(os anjos são incapazes do adeus)
Seremos mais que mão no peito,
Cada um para seu lado
Entre poema e ombreira
Com persianas por fechar.
A minha cabeça estará aqui ou acolá
Conforme hora ou medicamento,
Atenta aos anjos do mar num cais sonâmbulo.
Cada um com seu barco à vela,
(amor nocturno, como são todos)
Amantes do diabo a preto e branco,
A lavar os dentes enquanto os peixes dormem.
Fala, diz,
Um beijo será açoite na palma da mão.
30/06/17
23/06/17
Tábua I
Aquele que testemunhou o abismo, as fundações da terra,
experiente de caminhos, em tudo era sábio!
Gilgames, que testemunhou o abismo, as fundações da terra,
experiente de caminhos, em tudo era sábio!
Aonde estavam os poderes, foi averiguá-los,
de cada coisa extraiu um ápice de sabedoria.
O que era secreto encarou, o oculto trouxe à luz:
resgatou a memória de antes do Dilúvio.
Extenuado, mas em paz, fez o caminho que não tem fim
e na pedra exarou os seus trabalhos.
Ergueu a muralha de Uruk, a do redil,
e a do sagrado Eanna, puro tesouro.
Sobe a esta muralha: é como lá entraçada;
adverte o parapeito, ninguém poderá imitá-lo;
percorre a escadaria, que é de eras remotas,
e aproxima-te do Enna, casa de Istar:
rei ou homem algum poderão jamais imitá-la.
experiente de caminhos, em tudo era sábio!
Gilgames, que testemunhou o abismo, as fundações da terra,
experiente de caminhos, em tudo era sábio!
Aonde estavam os poderes, foi averiguá-los,
de cada coisa extraiu um ápice de sabedoria.
O que era secreto encarou, o oculto trouxe à luz:
resgatou a memória de antes do Dilúvio.
Extenuado, mas em paz, fez o caminho que não tem fim
e na pedra exarou os seus trabalhos.
Ergueu a muralha de Uruk, a do redil,
e a do sagrado Eanna, puro tesouro.
Sobe a esta muralha: é como lá entraçada;
adverte o parapeito, ninguém poderá imitá-lo;
percorre a escadaria, que é de eras remotas,
e aproxima-te do Enna, casa de Istar:
rei ou homem algum poderão jamais imitá-la.
16/06/17
Habito Uma Dor
Não deixes o cuidado de governar o teu coração a essas ternuras parentes do outono do qual retiram a sua placidez e afável agonia. O olho enruga-se precocemente. O sofrimento conhece poucas palavras. Prefere deitar-te sem fardos: sonharás com o amanhã e o teu leito ser-te-á ligeiro, sonharás que a tua casa não tem vidros. Sentir-te-ás impaciente por te unir ao vento que percorre um ano numa noite. Outros cantarão a incorporação melodiosa, as carnes que já só personificam a magia da ampulheta. Condenarás a gratidão que se repete. Mais tarde serás equiparado a um gigante que se desagregou, senhor do impossível...
E no entanto.
Não fizeste senão aumentar o peso da tua noite. Regressaste à pesca nas muralhas, à canícula sem verão. Estás furioso contra o teu amor no centro de um acordo que se assusta. Pensa na casa perfeita que nunca verás erguer-se. Para quando a colheita do abismo? Mas tu furaste os olhos do leão. Julgas ver passar a beleza por cima das lavandas negras...
O que foi que te ergueu, uma vez mais, um pouco mais acima, sem te convencer?
Não há cadeiras puras.











