Qual o trapo preso à cintura, qual o farrapo mais sórdido
Que não tem um preço?
Para quê menear o corpo, sentir luxúria
Sem uma finalidade?
E assim adorámos-te um pouco
Mais do que a Cristo.
05/05/17
21/04/17
A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado
5. A invenção do Cinema
Nem todos se juntaram aos esforços daqueles que queriam inventar máquinas capazes de voar.
Alguns (outros) inventaram o Cinema.
Nem todos se juntaram aos esforços daqueles que queriam inventar máquinas capazes de voar.
Alguns (outros) inventaram o Cinema.
14/04/17
Odisseia
"A ti não te está destinado, ó Menelau, vindo de Zeus,
Morrer em Argos criadora de cavalos, nem encontrar o teu fim.
Mas os imortais te mandarão para a Planura Elísia,
No extremo da terra, onde está o louro Radamanto.
Aí se oferece aos homens uma vida fácil.
Não neva, não há grande invernia, nem chuva,
Mas as brisas do Zéfiro sopram sempre ligeiras,
Vindas do Oceano, para refrescar os homens.
Isto porque possuis Helena, e para eles és genro de Zeus".
[ Homero, Odisseia, 4.561-569, em tradução de Maria Helena da Rocha Pereira ]
07/04/17
24/03/17
O Sino
(...) Acabou por decidir que a obsessão da sua presença seria preferível à obsessão da sua ausência (...) Mas por tardiamente ter descoberto em si o talento para a felicidade, maior o seu desencanto ao verificar que não podia ser feliz nem na companhia do marido, nem longe dele.
17/03/17
Mágica
Não há amor ilegítimo.
*
Axioma para os músicos: Os pássaros cantm mal.
Outro axioma para os músicos: Os barcos cantam melhor do que as sereias.
*
Conselhos aos pintores: Para estrangular a natureza, há que ter dedos de fada.
*
Os meus versos são cálculos de evasão
*
Era tão mau actor que chorava de verdade
*
A Poesia sou eu.
*
Fugir do Homem, fugir da Natureza e sentar-me em cima do arco-íris com uma pluma na mão.
10/03/17
03/03/17
Húmus
1 de Maio.
Não só os sentimentos criam palavras, também as palavras criam sentimentos. As palavras formam uma arquitectura de ferro. São a vida quase toda a nossa vida - a razão e a essência desta barafunda. É com palavras que construímos o mundo. É com palavras que os mortos se nos dirigem. É com palavras, que são apenas sons, que tudo edificamos na vida. Mas agora que os valores mudaram, de que nos servem estas palavras? É preciso criar outras, empregar outras, obscuras, terríveis, em carne viva, que traduzem cóleras, o instinto e o espanto.
24/02/17
S / Título
Oh, como a hipocrisia
seduz, e como se esquece
que em criança se está mais perto
da morte que na velhice
Ébria de sono, a criança
sorve ao menos a ofensa do pires,
mas eu - com quem me amuaria? -
sozinho estou, em todos os caminhos.
Não quero dormir como um peixe
no desmaio fundo das águas,
é-me querida a escolha livre
dos meus cuidados, dores e mágoas.
seduz, e como se esquece
que em criança se está mais perto
da morte que na velhice
Ébria de sono, a criança
sorve ao menos a ofensa do pires,
mas eu - com quem me amuaria? -
sozinho estou, em todos os caminhos.
Não quero dormir como um peixe
no desmaio fundo das águas,
é-me querida a escolha livre
dos meus cuidados, dores e mágoas.











