A POESIA PARA COMEÇAR E ACABAR BEM O DIA" Aldina Duarte

10.2.10

O Imortal



A estrela onde eu vivia já não existe.
O sol de cujo séquito
a estrela se movia à volta do mundo
já não existe.
A vida que tive,
a vida que era o prazer e a agonia do sangue,
já não existe.

Aquela estrela morta entre estrelas,
aquele sol morto entre sóis
aquele rosto morto entre rostos
que era o meu,

já não consigo lembrar.

Mas eu existo.


Poema: Arvid Mörne
Fotografia: Marc Adamus

9.2.10

Sem Título



Face adorável de Jesus
que raptas meu coração
como nenhuma beleza mais.
Confunde-me na Tua semelhança divina:
não possas mais olhar a minha alma
sem Te veres a Ti.

Poema: Teresa De Lisiteux
Fotografia: Tatjana Adizes

8.2.10

Canção Da Laranja Vermelha



Disseram-me que estás doente, laranja vermelha.
Estás doente da garganta, e eu estou mal da cabeça.
- Sobre as lajes em volta da igreja,
estavam sentadas três raparigas
atando os cabelos com fitas verdes.
Três túmulos se abriram e deles saíram
três belos rapazes
Ó coração doloroso, consola-te a ti mesmo -
dores iguais a essas já o mundo viu muitas.
Coração doloroso que não estás só no mundo.


Poema: Grécia, Epiro
Fotografia: Thomas Daly

6.2.10

OLGA RORIZ



MUITO AGRADECIDA, OLGA RORIZ!

5.2.10

Sem Título



O vento sopra forte entre os pinheiros
a caminho do princípio
de um passado sem fim.
Escuta: já ouviste tudo.


Poema: Takahashi Shínkichi
Fotografia: Say Yun Tsang

4.2.10

Depois do Beijo



«Adormeceste?»
«Não», dizes.

Flores em Maio
Florindo ao meio-dia.

Na relva junto ao lago,
Ao sol,
«Podia fechar os meus olhos
E morrer aqui», dizes.


Poema: Miki Rofu
Fotografia: Tony Hadley

3.2.10

Sem Título



Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correiria em que levado
Ia em busca da paz do esquecimento.

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado.
Pára e fica, e demora-se um momento.

Pára e fica, na doida correria.
Pára à beira do abismo, e se demora.
e mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço, que essa noite explora.
Mas a espora da dor seu flanco estria,
E ele galga e prossegue sob a espora...


Poema: Ângelo de Lima
Fotografia: Marius Sabo